Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante XVI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios
Eu quero começar dirigindo um cumprimento às prefeitas e aos prefeitos, às primeiras-damas e aos “primeiros-damos” presentes à Marcha em Defesa dos Municípios.
Queria cumprimentar também as senhoras e os senhores vereadores,
os senhores secretários e secretárias.
Cumprimentar o nosso vice-presidente da República, Michel Temer.
O senador Renan Calheiros, presidente do Senado.
O deputado Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos
Deputados.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo
Ziulkoski.
Queria cumprimentar as senhoras e os senhores ministros de
Estado que me acompanham nessa cerimônia, cumprimentando a ministra das
Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e a ministra-chefe da Casa Civil,
Gleisi Hoffmann.
Queria cumprimentar os senhores senadores Eunício Oliveira e
Valdir Raupp.
As senhoras e senhores deputados federais aqui presentes,
cumprimentando a Benedita da Silva, o Beto Faro, o Bohn Gass, Celso Maldaner,
Edson Pimenta, Fernando Marrone, Francisco Chagas, Henrique Fontana, José
Mentor, Jesus Rodrigues, Josias Gomes, Marinha Raupp, Milton Monte, Padre João,
Valmir Assunção, Valter Tosta, Zeca Dirceu e Miriquinho Batista.
Cumprimentar as senhoras e os senhores prefeitos e presidentes
de associações municipalistas dos estados do nosso país e diretores da
Confederação Nacional dos Municípios.
Queria cumprimentar aqui os senhores jornalistas, as senhoras
jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas.
Senhores prefeitos, senhoras prefeitas, entes políticos que
dirigem o nosso país e que, sistematicamente, vêm a Brasília nesta Marcha dos
Prefeitos que, muito bem assinalou o presidente Ziulkoski, é uma das maiores do
mundo, talvez uma experiência única.
E nós sabemos como é importante esse momento de interlocução
republicana e democrática dos municípios brasileiros conosco, o governo
federal, com o Congresso Nacional. Sabemos que essa Marcha, ela tem um sentido,
um sentido que busca construir uma melhor política para a população do Brasil,
uma melhor política no que se refere a isso que nós temos – nós que fomos
eleitos pelo povo temos obrigação de entregar –, que é uma melhor política
pública.
Eu sei da importância para as prefeitas e para os prefeitos aqui
presentes da parceria entre as três instâncias da Federação – o governo
federal, o governo dos estados e os municípios. O governo federal tem absoluta
consciência de que a qualidade da política, de serviços públicos, a melhoria de
serviços públicos que a nossa população tanto quer, e nós sabemos, sejam aqueles
que foram para a Marcha, sejam aquelas que não foram para a Marcha, todos eles
querem uma mesma coisa: melhores serviços públicos. E por isso, nós todos hoje
temos de fazer um grande esforço, porque nesses últimos dez anos, o Brasil
mudou, sim, e mudou para melhor, e foi porque mudou que nós hoje estamos
brigando, estamos lutando, estamos nos esforçando, estamos dando o melhor de
nós para que o Brasil tenha mais direitos sociais. Nós estamos aqui, todos nós,
querendo melhor saúde, melhor educação, melhor pavimentação, melhor mobilidade
urbana. Enfim, esse Brasil, que nos últimos dez anos teve o maior processo de
distribuição de renda, ele quer, ele anseia e ele exige melhores serviços
públicos.
Primeiro, eu quero afirmar para vocês, mais uma vez, que o governo
federal é parceiro, é parceiro para enfrentar os problemas e encaminhar as
soluções. É nesse quadro de parceria, de busca de soluções e de sensibilidade
para a situação que muitas prefeituras vivem, que eu quero fazer alguns
anúncios.
O primeiro anúncio diz respeito a uma questão que é muito
importante para vocês, principalmente nesse momento em que seremos exigidos a
melhorar os serviços públicos do país. Nós sabemos que Saúde e Educação é
investimento, mas é custeio. Por isso, o governo federal vai transferir R$ 3
bilhões como ajuda financeira aos municípios. Esses R$ 3 bilhões, nós esperamos
que ajudem os prefeitos e as prefeitas a prestar serviços de melhor qualidade,
a melhorar o seu custeio. Eles serão concedidos em duas parcelas, uma agora, em
agosto, e a segunda em abril de 2014.
Quero também anunciar mais recursos para a Saúde. Nós vamos
aumentar o valor do PAB por habitante. E esse é aquele repasse que não depende
do número de equipes, que não depende do número de equipes de saúde do
município. Corresponderá esse repasse a uma ampliação de R$ 600 milhões por ano
no total que o governo federal transfere para o custeio.
Nesse esforço que nós estamos fazendo na área da saúde, nós já
nos comprometemos a resolver uma questão que sabemos que é candente no Brasil.
Sabemos que tem 700 municípios no Brasil, entre os menores, que não têm
médicos, por isso o ministro Mercadante e o ministro Padilha estiveram aqui
ontem explicando que nós iremos custear de forma integral mais médicos nos
postos de saúde, nas UPAs, especialmente no interior, nesses municípios
pequenos abaixo de 50 mil que hoje têm uma dificuldade imensa não só para ter o
médico, mas também para pagá-lo; e nas periferias das grandes cidades, em todas
as regiões, em especial no Nordeste e no Norte do país.
Esses R$ 10 mil que nós iremos pagar, e assumir integralmente,
da remuneração dos médicos, eles serão acompanhados por uma ajuda de custo que
varia entre R$ 10 mil a R$ 30 mil de acordo com a região em que o médico se
estabelecer. E serão recursos pagos pela Saúde. Além dos pagamentos, o apoio
financeiro do pagamento dos médicos, o governo federal vai repassar mais R$ 4
mil mensais para utilizarem no custeio da equipe de saúde com enfermeiro, ou
técnico em enfermagem ou na manutenção do próprio posto de saúde. Se a equipe
também for composta por profissionais de saúde bucal, nós vamos acrescentar
entre R$ 2 mil a R$ 3,9 mil. Nós estimamos que para o pagamento dos médicos,
das equipes, o governo federal vai repassar mais R$ 3 bilhões aos municípios.
Além disso, nós vamos investir R$ 5,5 bilhões para ampliar a infraestrutura da
rede SUS, basicamente 11.800 postos serão ampliados e nós iremos construir mais
6 mil postos de saúde e mais 225 UPAs.
Estamos também oferecendo recursos para a construção de mais 2
mil creches e escolas de educação infantil no valor de R$ 3,2 bilhões. E nós,
como todos sabem aqui, antecipamos em 18 meses o recurso do Fundeb custeando
estas creches e se forem integradas por pessoas do Bolsa Família, há um aumento
de 50% no valor do custeio, como vocês sabem.
Nós temos certeza que é fundamental para o Brasil incluir
crianças de 0 a 3 anos. Achamos que os recursos dos royalties para a educação,
conforme está sendo proposto no Senado Federal são essenciais. O Brasil precisa
de mais Educação, mais Educação significa mais recursos. Mais recursos nós
temos de tirar de onde tem, e onde tem mais recursos são nos royalties. E o
governo federal encara essa proposta e, sobretudo, nós consideramos que o
critério de repartição tem que ser o mais equânime, o mais equilibrado e o mais
democrático possível.
A educação tem de estar baseada em dois fatores: na quantidade
de crianças e jovens que têm acesso a ela, e na necessidade de termos
professores com padrão que seja compatível com a ampliação da qualidade. É
impossível no Brasil não pagarmos professores de forma adequada. Para isso, não
dá, pura e simplesmente, para se estabelecer piso e não dizer de onde vem, tem
que se dizer de onde saem os recursos. Aliás, nós temos que ter essa prática:
quando nós quisermos ampliar, nós temos duas formas para ampliar investimentos
e custeio. Nós não temos de onde tirar a não ser da arrecadação. E arrecadação
ou é imposto ou é preço público.
Por isso é importante que nós façamos – eu concordo com o pacto
pela verdade proposto pelo Ziulkoski – que nesse país nós façamos uma discussão
correta sobre o que significa elevar para 10% o gasto com saúde, daonde sai.
Não adianta nós empurrarmos uns para os outros, nós não temos como equacionar a
necessidade de ampliar recursos. Por isso é tão importante para o futuro e para
o presente do país essa questão dos royalties. Daí nós temos de onde tirar, e
daí nós temos de dedicar esses recursos aonde eles são mais necessários no
nosso país.
Quero falar também uma outra questão, principalmente para os
municípios menores de 50 mil habitantes. É uma parceria na área do Minha Casa,
Minha Vida. Os municípios do Minha Casa, Minha Vida, nós reconhecemos, tiveram
atrasos, porque a gestão do processo dos municípios menores de 50 mil no Minha
Casa, Minha Vida, não era a mesma para os municípios acima de 50 mil. Nós
tomamos a decisão de tratar essa reivindicação que os prefeitos sempre
trouxeram a nós e, a partir de agora, todos os municípios abaixo de 50 mil
podem acessar o programa Minha Casa, Minha Vida e oferecer à população da sua
cidade, o sonho de realizar a casa própria. Vou repetir para ninguém ter
dúvida: nós não vamos mais deixar que haja seleção, todos os municípios podem
executar o programa Minha Casa, Minha Vida.
Num primeiro momento, tem 135 mil moradias disponíveis, com
valor que chega a R$ 4,7 bilhões. Nós estamos passando para a Caixa Econômica e
para o Banco do Brasil a execução desse programa e eu estou confiante, porque o
programa já entregou, para vocês terem uma ideia, já entregou 1 milhão e 300
mil moradias, já contratou 1 milhão e 400 mil moradias e tem outro tanto para
contratar. Por isso, eu sugiro a vocês que vocês tenham clareza que o modelo
não é trancado, porque senão em tão pouco tempo não se teria feito 1 milhão e
300 mil moradias e contratado 1 milhão e 400. Nós vamos, até o final de 2014,
ter contratado 2 milhões e 750 mil moradias.
Nós também queremos falar aqui, que eu não sei se todos sabem,
sobre os três equipamentos: a retroescavadeira, a motoniveladora e o
caminhão-caçamba. Nós acrescentamos isso ao conjunto de equipamentos. Quando
eles serão entregues? Os prefeitos de todos os municípios afetados pela seca no
Nordeste estão tendo suas entregas aceleradas e priorizadas e eu peço a
compreensão dos prefeitos aqui para esse fato. Os prefeitos que não estão
nessas regiões afetadas pela seca terão um cronograma também de entrega muito
claro. Até agosto, nós pensamos entregar a grande parte das retroescavadeiras,
concluindo tudo até outubro. Em novembro, nós vamos concluir as motoniveladoras.
Em fevereiro, nós vamos concluir os caminhões-caçamba. Não depende de nós esse
ajustamento, dependeu muito da indústria brasileira, que ficou sobrecarregada
com essa contratação, toda essa demanda e pediu para defasar as entregas. Como
a prioridade para nós é fazer esses três equipamentos para todo o Brasil, vocês
hão de convir que foi uma demanda muito forte sobre a indústria.
O carro-pipa está sendo entregue. O caminhão-caçamba pode vir
com equipamento para carro-pipa ou para caminhão-caçamba, depende do município.
No Nordeste ele tem o caminhão-pipa. Queria também dizer que o valor desses
equipamentos hoje, a preço de mercado, está em torno de R$ 1,02 milhão para
cada município desse país abaixo de 50 mil. Isso é muito importante porque
melhora a capacidade e a autonomia do prefeito para prestar serviço para a sua
população.
Quero dizer aos senhores que eu também recebi, por parte da
associação de prefeitos, um pedido de apoiar a legislação do ISS, apoiar a
questão da Lei Complementar 116. E eu quero me comprometer aqui a acolher a
sugestão, o que o governo federal puder fazer para agilizar e construir o
entendimento para que esse processo se acelere, nós assumimos aqui o
compromisso público de fazê-lo.
Eu queria dizer a vocês que esses vários anúncios, eles estarão,
e estão, sempre unificados numa certeza. A certeza é que o Brasil só pode ir
para frente, avançar mais, se nós estivermos juntos. E para nós estarmos
juntos, eu acho que é preciso uma Federação forte. A experiência que nós temos
nestes dez anos de transformação social do Brasil, passa por uma consciência,
aquela consciência que é a única que ela persiste, porque ela foi forjada no
dia a dia.
E no dia a dia nós forjamos, por exemplo, a parceria do Bolsa
Família. O Brasil não poderia executar o Bolsa Família se não tivesse a
participação dos prefeitos e das prefeitas. Várias outras atividades nós só
poderemos fazer avançar com essa parceria. E o meu governo trabalha orientado
por essa premissa. Essa premissa, ela ilumina todas as nossas ações. Sabemos
que nós vamos ter de continuar atuando no dia a dia para melhorar nossa gestão,
para reforçar nossas políticas públicas e para resolver nossos problemas.
Por isso eu queria aqui terminar falando sobre essa questão dos
médicos. Assim como educação, médico...
Eu queria terminar falando um pouco sobre a questão dos médicos.
Eu tenho certeza que a população brasileira, em todos os rincões desse país,
nas grandes cidades, em todos os lugares, ela quer dignidade. E não tem nada
mais, nada mais caro, valoroso para alguém que o seu próprio direito à vida.
Nós temos hoje como começar a encaminhar a solução dessa área
que aparece em todas as demandas, conversando com os movimentos sociais,
conversando com as associações de municípios, olhando as pesquisas divulgadas
pelos jornais, aparece como sendo uma das maiores demandas, não só minhas, não
só de vocês, mas da população do nosso país. Por isso, é importante, sim, falar
dos médicos. É importante por que o que é que significam os médicos? Saúde e
Educação têm um componente de custeio, não é só investimento. Saúde e Educação
precisam de bons professores e bons médicos, precisa de professores e precisa
de médicos.
Eu escutei, ao longo desses dois anos e meio que eu estou no
governo, de prefeitos e de governadores do Norte do país, a reclamação de que
podiam pagar R$ 30 mil e não tinha médico. Eu escutei, em áreas das periferias
das grandes cidades esse pleito. Eu vi prefeitos de capital dizerem: “Não, em
alguns lugares de excelência é fácil ter médico, o difícil é colocar nos
bairros da periferia”. Eu sei disso. Esse programa, eu tenho certeza que esse
Programa – e quero aqui fazer um apelo – esse Programa Mais Médicos precisa
emergencialmente, em termos de urgência, da parceria entre todos nós. Todos
nós. Os R$ 3 bilhões que eu estou dando aos municípios como ajuda financeira, é
justamente para garantir melhor qualidade de serviços.
É isso que hoje significa a conclamação que eu venho aqui fazer:
nós juntos conseguimos, progressivamente, melhorar a gestão, melhorar a qualidade
do atendimento. Vocês são prefeitos como eu sou presidenta. Vocês sabem que não
tem milagre. Que quem falar que tem milagre na gestão pública, quem falar que
tem milagre na gestão pública, sabe que não é verdade. Agora, nós precisamos
fazer um esforço muito grande para atender aquilo que é emergencial, e ao mesmo
e simultaneamente, olhar como nós resolvemos a questão do financiamento da
Saúde, da Educação e dos serviços públicos nesse país.
Muito obrigada!
Ouça a
íntegra (25min54s) do discurso da Presidenta Dilma
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